Homem de costas programando no computador.

O dev está morto. Vida longa ao dev!

Emanuel Joshua13 de outubro de 20262 min de leitura

Desde que o ChatGPT foi lançado em novembro de 2022, muita coisa mudou nas empresas. Artes agora são feitas em cinco minutos, textos para o LinkedIn em tempo menos ainda. Há quem diga que até a seleção de candidatos e decisões estratégicas também estão por conta do robozinho, mas o autor desse post decide ter fé que os CEOs e headhunters não são tão malucos assim. Surge então a pergunta: ainda é preciso contratar um desenvolvedor de software?

Aqui na SpeiVox, muitas coisas foram facilitadas com o uso de IAs generativas. Tarefas repetitivas que fazemos em todos os nossos projetos se tornaram apenas um comando que damos ao Claude Code, já treinado com nossas diretivas de desenvolvimento. O que antes era trabalho manual e o suor do nosso rosto se tornou revisão e tempo de repouso. Não nego o tremendo poder de aceleração que IAs oferecem, algo nunca antes visto.

Mas nem tudo são flores. Em abril de 2026, um empresário brasileiro que havia programado uma plataforma de streaming foi hackeado em menos de 24 horas após o lançamento, porque não conhecia práticas comuns de segurança digital. Já lidei pessoalmente com um caso parecido, quando fui abordado por um cliente que me apresentou um serviço digital “autoral” pedindo só para “colocar no ar” e ficou bem frustrado quando constatei que o que ele tinha era só a casca do que poderia ser um sistema. Para ele, eu estava agindo como um duende que protege a entrada da caverna do tesouro e o impedindo de entrar com meus enigmas e charadas envolvendo “backend” e “APIs”. Do meu lado, eu via algo totalmente diferente.

Explicarei com um exemplo. Vamos supor que as impressoras 3D fossem capazes de imprimir um carro. Naturalmente, algumas pessoas doidas iriam imprimir seus próprios possantes e sair pelas nossas rodovias federais. Porém, não é preciso ser nenhum guru da tecnologia para saber o que aconteceria com elas. No melhor dos casos, uma roda ou peça se desprenderia e cairia na estrada. No pior, o indivíduo aparecia no Jornal Nacional. Analogamente, quando alguém sem conhecimento de tecnologia e preparo tenta com suas próprias mãos implementar sistemas que lidam com dados de usuários, processos empresariais e fluxos importantes, o prejuízo pode difícil de reparar. Por isso, grande parte das empresas que demitiram funcionários da área de tecnologia quando surgiram os grandes modelos de IA os recontrataram pouco depois. Mesmo que pareça mágica, é preciso um mágico para tirar o coelho da cartola.

Ainda haverá muitas oportunidades de reduzir custos com IA e talvez essa tecnologia chegue no nível de poder, quem sabe, desenvolver aplicativos seguros com um mero comando de voz. Porém, atualmente ainda estamos longe disso e é preciso que pessoas capacitadas revisem e programem sistemas críticos, com ou sem ajuda de inteligências artificiais.